Vamos falar sobre empatia?!

Empatia: um dos remos essenciais para navegar em tempos de mudanças 

O ano começou e, com ele, novos desafios e mudanças se apresentam, em especial, por vivermos um momento delicado que vem exigindo de todos, tolerância e aceitação.

Para pais e educadores, um dos maiores desafios é como ajudar crianças e adolescentes a enfrentar as mudanças da forma mais positiva possível. Para isso, talvez, o primeiro passo seja que nós, adultos, saibamos lidar com as mudanças e dificuldades impostas. Somos as referências para as crianças e se soubermos administrar os contratempos, passaremos segurança para elas. O segundo passo seria aceitarmos que não nos cabe livrar nossos filhos e alunos de todas as dificuldades e todos os desafios que venham a encarar, pois essas condições são necessárias para o desenvolvimento de todo ser humano.

A oportunidade de lidar com situações adversas é fundamental para que possamos desenvolver um amplo repertório emocional e sejamos capazes de administrar futuras dificuldades.

Livro: Ostra feliz não faz pérola

Rubem Alves, em seu livro “Ostra feliz não faz pérola”, escreveu: “A ostra, para fazer uma pérola, precisa ter dentro de si um grão de areia que a faça sofrer. Sofrendo, a ostra diz para si mesma: ‘preciso envolver essa areia pontuda que me machuca com uma esfera lisa que lhe tire as pontas”. Essa bela passagem nos faz refletir sobre o quanto as dificuldades podem ser valiosas em nossas vidas, pois a partir delas podemos criar mecanismos de superação e nos tornarmos mais fortalecidos.

Isso pelo que passamos hoje é tão parte da nossa condição humana global que temos estudos de diversas áreas para nos esclarecer e orientar como sairmos dessa, cada vez melhores! Uma dessas ferramentas é o livro 21 Lições para o Século 21, do historiador Yuval Harari, lançado em 2018, em que o autor afirmou ter como objetivo responder à questão: “o que está acontecendo no mundo hoje, qual é o sentido mais profundo desses eventos e como podemos individualmente nos guiar através deles?”

21 lições para o século 21

Para além da pesquisa histórica e geopolítica de Yuval Harari, encontramos os estudos da psicologia, neurociência e ciências do comportamento, apontando para o enfrentamento dos desafios diários através da empatia.

Empatia é considerada um dos elementos da inteligência emocional. Psicólogos como Daniel Goleman e Paul Ekman, pesquisadores do tema, apontam a existência de três tipos de empatia:

  • Cognitiva
  • Emocional
  • Compassiva

A primeira, empatia cognitiva, se refere à ideia mais popular de empatia, relacionada a se colocar no lugar do outro. É a capacidade de entender os sentimentos e formas de pensar de outra pessoa. A segunda, empatia emocional, também chamada de empatia afetiva, envolve compartilhar sentimentos com outra pessoa criando uma conexão emocional.

Paul Ekman define esse tipo como “uma sensação de contágio emocional”, em que um torna-se sintonizado com o mundo emocional interno do outro, sendo um dos tipos de empatia mais difíceis de ser desenvolvido, pois envolve autoconhecimento e autorregulação emocional.

Por último, na empatia compassiva, o entendimento e a conexão desenvolvem-se para a ação. Depois de entender a situação de alguém e compartilhar seus sentimentos, os empáticos são motivados a ajudar.

Para desenvolver os três tipos de empatia, a pesquisadora e especialista Brené Brown afirma que é preciso muita prática, tanto oferecendo empatia como recebendo. Ela aponta que, ao receber empatia, é possível compreender os benefícios e a importância de ser ouvido e aceito, mas também entender a força e a coragem necessárias para ser vulnerável e compartilhar a necessidade de empatia em primeiro lugar. E completa, citando quatro atributos da empatia:

  1.  Tomada de perspectiva: estar disposto a ver o mundo através dos olhos do outro, abrindo mão das próprias visões.
  2. Não julgar: abster-se de comentários que invalidam a experiência do outro ou o fazem se sentir errado, como “isso não é nada” ou “não sei por que você está tão chateado com isso.”
  3. Reconhecer emoções: olhar dentro de si e lembrar como é ter a sensação que a outra pessoa está sentindo.
  4. Comunicação: ao invés de tentar trazer um lado positivo da situação, mostre que entende o que o outro está passando e valide o sentimento e a experiência dele.Colocando essas quatro ferramentas em prática, é possível criar um processo empático e aplicar com sucesso os diferentes tipos de empatia.Então, olhando para o nosso cenário atual, refletimos sobre nossos papéis como familiares e educadores e nos posicionamos de forma a dar suporte para que nossas crianças e nossos adolescentes sintam-se seguros no enfrentamento das dificuldades vindas com o momento que vivenciamos.É preciso sentir COM eles. É importante que percebamos que momentos de crise são oportunidades de crescimento, amadurecimento e aprendizado fundamentais para que a humanidade deixe o individualismo e busque o bem comum.

Texto elaborado pelas Orientadoras Psicoeducacionais:
Ana Paula Gatti Panizza – Educção Infantil (ana.panizza@iecj.com.br )
Isabela Bonucci Pin – Ensino Fundamental I (psico.ef1@iecj.com.br)
Luciana Simões Miraldi – Ensino Fundamental II e Ensino Médio (psicoeduc2@iecj.com.br )

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