8 de setembro – Dia Mundial da Alfabetização

O Brasil tem pelo menos 11,3 milhões de pessoas, com mais de 15 anos, analfabetas. A Rede Filhas de Jesus trabalha com afinco para mudar essa realidade através da EJA.

Quadro negro com alfabeto, papel em branco com possibilidades.

No dia 8 de setembro é comemorado o Dia Mundial da Alfabetização. Uma data que deveria ser celebrada com muita alegria. No entanto, a realidade não é bem essa no Brasil, o país ainda conta com uma taxa de analfabetismo alta.

De acordo com o IBGE, na última Pesquisa por Amostra de Domicílios Contínua, realizada em junho de 2019, o Brasil tem pelo menos 11,3 milhões de pessoas com mais de 15 anos analfabetas (6,8% de analfabetismo). No mundo, mais de 750 milhões de pessoas se encontram nessa situação.

Mas como se define o analfabetismo? Analfabeto é qualquer pessoa que não conheça o alfabeto ou que não saiba ler e escrever. A taxa de analfabetismo medida pelo IBGE é referente à quantidade de pessoas que não sabem ler e escrever, nem ao menos um bilhete simples, no idioma que conhecem.

Se falarmos no analfabetismo funcional, condição de pessoas que reconhecem letras e números, mas são incapazes de compreender textos simples, bem como realizar operações matemáticas mais elaboradas, o número é ainda maior. Essa realidade atinge cerca de 30% dos brasileiros entre 15 e 64 anos, de acordo com o Índice Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf).

A Rede Filhas de Jesus no Brasil, que conta com 8 escolas, trabalha com afinco para mudar essa realidade. Além da educação básica de qualidade, que abrange a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, a Rede oferece ainda a Educação para Jovens e Adultos, a EJA, que atende cerca de 100 alunos na unidade do Colégio Imaculada Conceição, em Belo Horizonte.

A alfabetização é um elemento importante para a construção da dignidade humana e do sentimento de inclusão e pertença social. Ler e escrever são condições necessárias à participação na sociedade letrada em que vivemos. Ser alfabetizado e fazer uso destes conhecimentos é uma questão de sobrevivência para o cidadão e de soberania para o país.

A alfabetização como essência das Filhas de Jesus

A alfabetização e a educação dos mais necessitados e carentes tem lugar especial na missão das Filhas de Jesus. A fundadora da Congregação, Santa Cândida Maria de Jesus, na época analfabeta, recebeu o desafiante chamado para a criação de uma congregação voltada para a educação e a evangelização.

Com muita coragem, Santa Cândida assumiu o seu chamado e começou a aprender as primeiras letras, aos 17 anos de idade, com a ajuda do Padre espanhol, Miguel dos Santos São José Herranz.
Enfrentando todas as dificuldades financeiras e descrenças de outras pessoas, seguiu firme, expandido instituições de ensino de referência e qualidade, que hoje se encontram em várias partes do mundo.

Realidades alteradas e sonhos possíveis pela alfabetização da EJA

Lendo um livro com os olhos vendados.
Laura Savausky conhece bem a realidade e os sofrimentos daqueles que não sabem ler e escrever. Ela coordena a Educação de Jovens e Adultos, no Colégio Imaculada Conceição, em Belo Horizonte, e acompanha de perto os esforços e as vitórias desses guerreiros brasileiros que buscam a realização de sonhos simples, como deixar um bilhete de bom dia ao sair de casa ou conseguir ler o preço do pão na padaria.

Mas os sonhos não têm limites. Por isso muitos desses alunos foram além. A EJA traz em sua bagagem histórias de superação, como a do Cassimiro Gonçalves dos Santos Neto, de 39 anos. Cassimiro estava em situação de rua, dormia no Abrigo São Paulo, em Belo Horizonte, e, graças ao EJA e ao seu grande empenho e esforço, passou no Enem e se classificou para estudar Engenharia Mecânica na UFMG. Cassimiro aproveitava para estudar na biblioteca pública da cidade, enquanto aguardava horário de pernoitar no Abrigo. Assim como a do Cassimiro, várias outras histórias de vida foram renovadas e restauradas pela EJA.

“ Eu já sabia ler um pouco, mas eu não conseguia escrever direito, errava muito. Agora, consigo ler sozinha muitas coisas, até a Bíblia. Gosto muito de ler as músicas e histórias que a professora ensina. Agora, eu já me sinto segura para ler. Adoro participar das aulas de Educação Física, meu sonho é frequentar uma academia de ginástica de verdade”. Janaina Pinheiro, aluna da EJA *

“Eu era doido para ter um computador, doido para aprender a mexer. Eu comprei com meu esforço e o Senhor Jesus me ensinou, me deu sabedoria para mexer. Eu jogo no Google as palavras para escrever certo, eu ficava: como escreve você, se tem acento no e no finalzinho. E fui assim, caminhando no computador. O motivo de eu estar aqui na escola foi o computador, no primeiro dia eu chorei muito, consegui quebrar o medo. Eu descobri o Imaculada sozinho na internet. A história de Santa Cândida me motiva todos os dias. E vou levar para o resto da minha vida”. Leandro Januário Miranda, 39 anos, aluno da EJA. *

“ Tudo começou 2 anos depois do falecimento de meus pais, acabei me tornando um morador de rua. Através de informações, descobri o abrigo Tia Branca. Foi lá que um dia havia um grupo de moradores falando com entusiasmo de um colégio que estavam estudando, o Imaculada Conceição. Procurei a escola e a coordenadora me ajudou com os materiais. Durante o passar do tempo, eu senti que estudar provocava um certo preconceito nos outros moradores de rua e, por casa das regras do abrigo, acabei saindo de lá e indo dormir na rua. Era muito difícil ficar o tempo todo carregando uma mochila com roupas e materiais de higiene. Se tornou ainda mais difícil com o material escolar, passou a ficar muito pesada a mochila, mas não desisti. Nas ruas, às vezes, a bebida alcoólica nos dá um pouco de alegria num dia, e no outro, tristeza. Foi assim que muitas vezes tive minha mochila roubada. Mas Deus é bom. Conheci um lugar chamado Centro de Referência para Pessoas em Situação de Rua. Foi lá que consegui um armário”. Fábio Quintino Barbosa, aluno da EJA. *

“ Nasci no interior de Rio Vermelho. Levantava às três horas da manhã para ir para o trabalho. Saía de casa às cinco horas da manhã. Só vim estudar adulta, aos 43 anos. Uma colega de trabalho me indicou o Imaculada. Cheguei aqui e fui alfabetizada. Sinto que ao aprender a ler e escrever passei a ser mais respeitada, e meu filho sente orgulho de mim. Me sinto muito bem estudando aqui, gosto de todas as pessoas”. Maria de Fátima C. de Oliveira, aluna da EJA. *

Por: Renata Dantas

 

*Fragmentos de depoimentos retirados do livro: Tecendo Histórias (2016)

 

Leia também:

28 DE ABRIL- DIA DA EDUCAÇÃO 
EDUCAR EVANGELIZANDO- A ESPIRITUALIDADE DAS FILHAS DE JESUS 

Ouça o Podcast:

Alfabetização – sonho de muitos, nossa missão!

Gostou desse conteúdo? Leia mais na nossa página: Matérias Especiais .

Mais Posts

Como estimular a autonomia infantil em casa e na escola

Em uma rotina cada vez mais corrida, é comum que os adultos façam pela criança aquilo que ela já seria capaz de realizar sozinha. A intenção é ganhar tempo, mas o hábito pode limitar o desenvolvimento de uma das competências mais importantes para o futuro: a autonomia. Especialistas destacam que permitir que os pequenos experimentem,

Escola e família: como essa parceria transforma o futuro dos estudantes?

A educação de uma criança ou de um jovem vai muito além da sala de aula. Ela é construída diariamente por meio da parceria entre escola e família, dois ambientes que exercem um papel essencial na formação de cada estudante. Quando caminham na mesma direção, criam uma rede de apoio que fortalece a aprendizagem, desenvolve

Encontro de gestores, direções e coordenações Rede FI

No dia 3 de junho, a Rede Filhas de Jesus reuniu no Imaculada Campinas os gestores do CSC, as equipes diretivas das unidades de São Paulo, as coordenações administrativas, pastorais e de marketing. O encontro teve a finalidade de discutir dados estratégicos das unidades de São Paulo, que auxiliarão na construção dos planejamentos para o

Nomeado o novo Governo Provincial Brasil-Caribe

No dia 24 de maio de 2026, Dia de Pentecostes, a Superiora Geral das Filhas de Jesus, Graciela Francovig, comunicou a nomeação do novo governo provincial Brasil-Caribe. A nova provincial assumirá o governo no próximo dia 22 de julho de 2026. Governo Provincial Brasil-Caribe Superiora Provincial: Ir. Regina Célia de Oliveira Primeira Conselheira: Ir. Leila

Filhas de Jesus
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.