Altas Habilidades e Superdotação

Uma contribuição da Neurociência

RESUMO

O presente trabalho tem como objetivo apresentar um olhar mais detalhado sobre Altas Habilidades e Superdotação. Para tanto, foi realizada uma pesquisa bibliográfica a fim de entender do que se trata esse conceito, quais são as características pedagógicas e emocionais de crianças que apresentam esse diagnóstico e quais suas implicações na área da educação. Além disso, o trabalho também tem como finalidade apontar como a área da Neurociência pode ajudar familiares, professores e outros profissionais no processo de ensino-aprendizagem dessas crianças. Concluiu-se que entender como o cérebro aprende é de extrema importância para ajudar essas crianças no seu processo escolar.

INTRODUÇÃO

A sala de aula comum foi e ainda é projetada para o aluno “ideal”: aquele que acompanha o ritmo da turma e que não precisa de um atendimento individualizado. Os alunos abaixo da média, os alunos acima da média e os alunos público-alvo da Educação Especial ainda encontram obstáculos no processo de ensino-aprendizagem.

Os alunos com AH/SD – Altas Habilidades e Superdotação são considerados, pela legislação brasileira, público-alvo da Educação Especial. São estudantes que:

demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes. Também apresentam elevada criatividade, grande envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse (BRASIL, 2008).

Assim sendo, alunos com AH/SD têm direito de receber AEE – Atendimento Educacional Especializado. Mas como isso pode ser desenvolvido na sala de aula comum? Como é possível adaptar o currículo para o desenvolvimento desses alunos? Como eles podem ser definitivamente incluídos na sala de aula e como podem desenvolver suas habilidades e potencialidades? Essas foram algumas das questões norteadoras para a escrita do presente artigo e que tentarei, com a contribuição da Neurociência, expor reflexões sobre elas.

ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO

Joseph Renzulli (1936) é uma grande referência no estudo da superdotação. O estudioso explica o comportamento superdotado através da Teoria dos Três Anéis, criada por ele próprio. Essa teoria nasce da interação de três conjuntos: habilidade acima da média, comprometimento com a tarefa e criatividade.

Renzulli destaca a problemática de tentar definir a superdotação de uma única forma, e apresenta duas categorias para melhor compreendermos os comportamentos superdotados: “superdotação escolar ou acadêmica” e “superdotação criativo-produtiva” (RODRIGUES; KONKIEWITZ, 2014).
Na superdotação escolar, o aluno tem destaque na escola, com notas elevadas. Já na superdotação criativo-produtiva, a pessoa se destaca em uma área específica e pode apresentar notas escolares baixas. (RONDINI; REIS, 2021).

O professor da sala de aula comum precisa, primeiramente, conhecer as habilidades e as necessidades educacionais do seu aluno com AH/SD.

Feito isso, precisa adaptar o currículo comum a fim de oferecer algo a mais para essa criança se desenvolver nas suas potencialidades e não perder o interesse pelo aprendizado, aspecto muito comum nas crianças com AH/SD.

A proposta de oferecer enriquecimento curricular para crianças com AH/SD se resume na oferta de atividades extras, diferentes daquelas apresentadas no currículo comum. O interesse do aluno deve ser considerado na elaboração das atividades, sendo importante sua participação ativa no processo (RONDINI; REIS, 2021).

O enriquecimento curricular deve ser pensado e oferecido com intencionalidade e com objetivos definidos. “Mais uma vez, vamos pensar na intencionalidade, que não é oferecer algo a mais por oferecer. É preciso ter um propósito pedagógico” (RONDINI; REIS, 2021).

NEUROCIÊNCIA E EDUCAÇÃO

Com a ajuda da Neurociência podemos estudar sobre os processos neuropsicocognitivos que intervêm na aprendizagem. No presente trabalho, irei abordar os mecanismos da atenção, memória e emoção.

A atenção trata-se de uma condição básica para os processos cognitivos. Sem a atenção, a aprendizagem não acontece. Vale destacar que o cérebro só irá prestar atenção naquilo que tem significado e relevância para a vida do indivíduo.

Outro mecanismo biológico fundamental para o processo de ensino-aprendizagem é a memória. Inicialmente, a informação recebida deve passar pelo filtro da atenção, mecanismo já descrito acima. Depois, para a informação recebida tornar-se um registro definitivo no cérebro, ela precisa passar por processos de repetição, elaboração e consolidação. A informação que for acessada mais vezes e que tiver associação com registros já existentes, terá mais chances de virar uma memória de longa duração (CONSENZA; GUERRA, 2011).

As emoções também interferem na aprendizagem na medida que são um indicativo de que algo importante está acontecendo. Se uma informação, com valor emocional, é apreendida pelo indivíduo, ela pode estimular os processos atencionais e de consolidação da memória, facilitando a aprendizagem.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Crianças com AH/SD apresentam um excelente desenvolvimento cognitivo, além de apresentarem um grande potencial criativo na realização de tarefas.

Compreender as funções do cérebro é fundamental para professores, familiares e profissionais que trabalham com crianças com AH/SD.



Para que de fato ocorra a inclusão de alunos com AH/SD na escola regular é essencial que os professores tenham formação acadêmica sobre o assunto: conheçam as particularidades de crianças com esse diagnóstico e tenham intencionalidade no momento de desenvolver as atividades de enriquecimento curricular, sempre levando em consideração as bases neurais da aprendizagem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, Secretaria de Educação Especial, 2008.
CONSENZA, Ramon M.; GUERRA, Leonor B. Neurociência e Educação: como o cérebro aprende. Porto Alegre: Artmed, 2011.
GÓMEZ, Ana Maria Salgado e TERÁN, Nora Espinosa. Dificuldades de Aprendizagem: Detecção e estratégias de ajuda. Equipe Cultural.
PEREZ, S. G. P. B.; FREITAS, S. N. Características dos alunos com altas habilidades ou superdotação (AH/SD). São Paulo: AVA Moodle Unesp [edutec], 2016.
RENZULLI, Joseph S. Whats makes giftedness? Reexamining a definition. Phi Delta Kappan, n. 60, pp. 180-184, 261, 1978.
RODRIGUES, Angela M.; KONKIEWITZ, Elisabete Castelon (orgs.). Altas habilidades/ superdotação, inteligência e criatividade: uma visão multidisciplinar. Campinas, SP: Papirus, 2014.
RONDINI, Carina Alexandra; REIS, Verônica L. dos (orgs.). Altas Habilidades/ Superdotação: Instrumentais para identificação e atendimento do estudante dentro e fora da sala de aula comum. Curitiba: CRV, 2021.

Por Isabella Baldasso de Oliveira

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