Evoluindo com o Nosso Modo Próprio de Educar

A importância da rotina na Educação Infantil

A Educação Infantil é uma etapa marcante e de grande importância na vida de uma pessoa. É a principal fase de desenvolvimento humano, onde com maior precisão e velocidade as células neurais se formam e numerosas janelas de aprendizado estão abertas.

Diversos estudos científicos têm demonstrado que as primeiras experiências vividas na infância, bem como intervenções e serviços de qualidade ofertados nesse período, estabelecem a base do desenvolvimento. Ou seja, o que acontece nos primeiros anos de vida de uma criança é fundamental para todo o seu desenvolvimento. E isso afeta para além de si mesma, também toda a sociedade e consequentemente o mundo, a nossa Casa Comum.

A importância do acolhimento e da rotina

A escola, como ambiente de desenvolvimento de diversos aspectos e formação, e que acompanha uma pessoa durante um grande período de sua vida, é um lugar que se debruça no estudo do Ser Humano, e guiando esse processo ano após ano, temos curiosos, engajados e estudiosos profissionais que, além da qualificação profissional, também compreendem as necessidades e especificidades de cada fase do desenvolvimento, e constroem estratégias que desenvolvam, ao longo dessa jornada inicial, importantes conceitos que as crianças levarão para toda vida. Falo dos educadores.

A partir, por exemplo, das noções de pertencimento que vivenciam na Educação Infantil, e de como os educadores organizam a acolhida e a rotina, as crianças transcendem para as demais situações do cotidiano. Vivenciam as experiências na segurança de um ambiente controlável e acolhedor – que é a escola, para reproduzirem nas mais diversas fases e situações da vida.

Desenvolver e vivenciar as rotinas na Educação Infantil é algo fundamental para que as crianças constituam hábitos e tenham experiências que auxiliem em sua aprendizagem e desenvolvimento.

As rotinas devem ser propostas flexíveis, porém, em muitas situações precisam ser, também universais e padronizadas, auxiliando a criança a aprender normas, a ter horários para alimentação, higiene, sono, assim como para atividades ligadas ao educar. Isso auxilia a criança a ter organização, segurança, assim como a construir sua autonomia, vivenciando o seu protagonismo com leveza e confiança.

Os Campos de Experiência na Educação Infantil

Tomamos como referência o que as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propõe, para esta etapa – que é uma organização curricular em Campos de Experiências, onde as práticas pedagógicas acontecem com intencionalidade e leva em consideração que bebês e crianças aprendem e se desenvolvem a partir das experiências cotidianas.

A BNCC organiza a Educação Infantil em torno de 6 direitos de aprendizagem: EXPRESSAR, CONVIVER, BRINCAR, PARTICIPAR, EXPLORAR E CONHECER-SE.

Para cada um desses direitos há uma gama de possibilidades para ser garantidas, vivenciadas e aprendidas.

Quando se diz CONVIVER, está se referindo a convivência com outras crianças mas também com adultos, tanto em pequenos quanto em grandes grupos, utilizando-se do mais variado repertório de linguagens, conquistando assim maior conhecimento de mundo, observando a diversidade e construindo suas percepções.

No conceito de PARTICIPAR, acredita-se numa participação ativa, seja das atividades propriamente ditas, como também na escolha de tais, elaborando conhecimentos e desenvolvendo a capacidade de decidir e posicionar-se nos diferentes assuntos e/ou situações.

Quando se toca no EXPRESSAR, pensa-se no sujeito dialógico, que se emociona, que têm dúvida, que lança hipóteses, que questiona e emite opinião.

Acredita-se que na medida que as crianças imergem nessas vivências diárias, consolidam aprendizados significativos, pois são colocadas no centro do processo, vivenciando ativamente o repertório de experiências.

Por esse motivo, tanto se destaca a importância da INTENCIONALIDADE PEDAGÓGICA, pois seu pressuposto é a integração do currículo em todo o planejamento das menores às maiores experiências do cotidiano, que somadas durante todo processo, ganham corpo e dão contorno ao sujeito que está se constituindo.

Na vivência e integração de todos esses campos de experiência, destacamos as rotinas e sua importância na jornada da Educação Infantil, tais como: acolhimento e despedida, atividades em pequenos ou grandes grupos, sendo livres ou dirigidas; com diferentes contextos de aprendizagem – na escola, em festividades, em família, nas rodas de conversa ou contação de histórias, nas rotinas de cuidado pessoal e alimentação, etc.

Pensar o currículo a partir de campos de experiência nos permite mudar o paradigma do professor detentor e condutor pleno do conhecimento, para o olhar que aprende e ensina a partir da perspectiva da criança. E, pensando nesse viés, é necessário garantir tempo e espaço para que a criança vá explorando e testando todas as possibilidades, para então se apropriar das aprendizagens.

Definitivamente é preciso estancar as posturas rígidas e inflexíveis que coíbem as crianças de reagirem às proposições e criarem diferentes percursos de exploração e respostas. Portanto, a organização das atividades pedagógicas precisam estar à serviço dos campos de experiência e não o contrário. Os campos de experiência precisam ser pensados e vivenciados de forma integrada e transcendente, pois se complementam e fortalecem o significado das propostas pedagógicas.

A Teoria da Aprendizagem Significativa

Neste ínterim, destaco a contribuição e alinhamento com a “Teoria da Aprendizagem Significativa” de Ausubel, que distingue 3 tipos gerais de aprendizagem: cognitiva, afetiva e psicomotora.

A cognitiva é aquela que resulta no armazenamento organizado das informações. A afetiva resulta de sinais internos ao indivíduo e pode ser identificada como alegria, insatisfação, prazer, etc. Diz também que algumas experiências afetivas acompanham as cognitivas, portanto são concomitantes. E, por fim, a aprendizagem psicomotora que envolve respostas musculares adquiridas por treino e prática.

Para Ausubel, a aprendizagem significativa é um processo por meio do qual uma nova informação relaciona-se com um aspecto especificamente relevante da estrutura de conhecimento do indivíduo. À medida que a aprendizagem vai se tornando mais significativa é maior a possibilidade de ancorar a informação e transformá-la em conhecimento.

Nosso Modo Próprio de Educar

Impossível não associar e compartilhar um pensamento que ressoa forte dentro de mim, considerando a construção de pensamento até aqui, que é o olhar para a BNCC, como um divisor de águas, escrito por muitas mãos, após anos de estudo, coleta de informações, análise de dados quali e quantitativos, contudo um documento historicamente recente. Unir à Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel, datada de 1968 – então falamos de 56 anos, e imediatamente deslumbrar e enaltecer Madre Cândida, e todo o seu pioneirismo e visionalidade, mais ainda fascinar com a fé inabalável e o temor à Deus, pedindo incansavelmente ao Senhor a graça de acertar as pessoas eleitas e iniciar a expansão missionária pelo nosso amado país. Ler e refletir sobre o “Nosso Modo Próprio de Educar”, tão singular e marcante nas escolas da Rede Filhas de Jesus e seu jeito de fazer a Educação.

Nos fala de uma escola com educação integral que aspira e coopera no processo de crescimento e maturação de pessoas capazes de servir e amar a todos, com seu conhecimento adquirido numa escola que vive em pastoral educacional, e assim iluminados por esta grande fonte inspiradora, todos os dias, acolhemos nossos alunos e caminhamos ao lado de nossa comunidade educativa, garantindo que a partir de nosso exemplo as crianças possam construir um mundo melhor e mais humano.

Acreditamos na importância da Educação Infantil no ciclo inicial de vida da criança, compreendendo que ambiente, afeto e rotina, influenciam sistemicamente na evolução da criança. Por isso cuidamos com tanto amor, alegria e esperança desses pequenos futuros cidadãos do mundo.

“Origens e atualidade, passando por uma trajetória de mais de um século e meio, em um conjunto de regiões, países e continentes diversos, são as fontes que nos inspiram no nosso modo próprio de educar.”

Adaptado do Nosso Modo Próprio de Educar – Filhas de Jesus

Referências bibliográficas:

AUSUBEL, David P. A teoria da aprendizagem significativa: A educação e a construção do conhecimento. São Paulo: Editora Vozes, 2003.
LINS, A. P. & SANTOS, M. A. Educação Infantil em Tempos de Crise: Reflexões e Perspectivas. Revista de Estudos Pedagógicos, 18 (23-39), 2023.
LOPES, J. R. A BNCC e os direitos de aprendizagem na Educação Infantil: reflexões e práticas. Revista Brasileira de Educação, 23 (1-20), 2018.
SCHIMIDT, L. Os direitos de aprendizagem na Educação Infantil: uma análise da BNCC. Educação e Pesquisa, 45 (55-72), 2019.
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. Martins Fontes, 1988.
WINNICOTT, D. W. A criança e o seu mundo. São Paulo: Martins Fontes, 1975.

Por Priscila Tassara Streapco

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